Manifesto da Obsolescência
“Os adultos são crianças obsoletas”
- Dr. Seuss
Este site é um cemitério. A pessoa que sangrou versos e chorou estes parágrafos, já não existe mais, nem como sombra. Morreu, como ela sempre desejou e tantas vezes escreveu, afogada nessas ideias sufocantes de uma vida sem propósito nem futuro. Como pode ter futuro a criação de uma criatura sem futuro? Eu nasci de dentro dela, germinado nas suas entranhas, assim como eu mesma a enterrei, e de vez em quando visito seu túmulo, este domínio cada vez mais desformatado e inacessível. Esse site é uma lápide.
Sempre que venho até aqui, me pergunto onde estão partes dos textos que ela escreveu, que somem neste fundo como um buraco negro. Até hoje, fazia a manutenção dos arquivos como quem renova as flores dessa lápide, quando percebi que são somente sinais do passado nos engolindo como uma baleia. E vai engolir a todos nós. Decidi não lutar mais contra Cronos engolindo seus filhos: este site está se destruindo. Não posso parar isso, lutar contra isso, me revoltar e sofrer por isso.
Não sou mais a pessoa que escreveu essas palavras. Em pouco tempo não serei quem sou agora. O melhor que posso fazer por este lugar é abandoná-lo ao tempo em suas vontades soberanas. A degradação desse lugar é somente um reflexo na carne que já se descola dos ossos na autora: é um espelho. Não mais olharei nesse espelho.
É preciso deixar morrer.
Sub-Versiva, 25 de setembro de 2026



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